Sempre ouvi falar de Juiz Dredd, mas nunca cheguei a ler ou me aprofundar muito na história. Porém, devido aos acontecimentos recentes, finalmente comecei de fato a ler, e fui direto para a mais indicada: América. E, bem, sem meias palavras, esse quadrinho é excelente.
Acompanhamos América e Benny, dois amigos que crescem juntos, mas seguem caminhos diferentes. Benny “vence” dentro desse sistema corrompido, enquanto América se torna uma guerrilheira pela democracia.
Primeiramente, toda a arte e identidade visual do quadrinho são impressionantes. As imagens iniciais dos juízes pisando sobre a bandeira americana são incríveis, e esse padrão se mantém durante toda a obra.
Temos artes belíssimas e personagens bem interessantes, acompanhamos a vida dos dois e como ela se mescla com os juízes. Eles parecem uma força onipresente, sempre esgueirando pelos cantos, sempre vigiando, sempre patrulhando.
E bem, o que vemos na história é um futuro que já não parece mais satírico ou mesmo absurdo. Os juízes agem como agentes do ICE ou policiais que veem na farda uma maneira de se impor. A crítica é bem profunda, porque os juízes não são meros vilões nessa história.
Eles são, em última instância, sucessores de uma democracia que falhou. O autoritarismo não surge como um fim em si mesmo, mas como consequência do poder mal distribuído às massas, o que leva ao enfraquecimento das instituições, ao ponto de se tornarem quebradiças e possibilitarem um mundo onde quem segura a arma também promulga a sentença.
Deixando isso de lado, a história é bem curta e tem um ritmo cadenciado, que nunca fica arrastado nem apressado demais.
No entanto, as últimas duas ou três páginas soam como choque pelo choque. Pareceram fora de personagem e da história construída até ali, de repente surge uma ciência maluca e um personagem toma uma decisão esquisitíssima, enfraquecendo a imersão.
Ainda assim, isso está longe de estragar a obra. Excelente leitura, forte e atemporal.

